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Thiago Rachid Opinião em Conserva
Lei e governo

Atacar Moro para acertar Bolsonaro

Astuto, Lula quer escolher o adversário mais fraco e chama Moro para o jogo.

O primeiro passo para a derrota é subestimar o inimigo. E entre os brasileiros que fazem esse país andar há muitos que subestimam Lula.

Não podemos acreditar que é estúpido um sujeito que sai do sertão com uma mão na frente e outra atrás, cria para seu proveito o maior partido da América Latina e chega à Presidência da República três vezes (e pouco importa como, o fato é que ele conseguiu).

Lula não é sábio, mas é astuto como o diabo. Ele não dá um “bom dia” sem que nisso tenha algo de caso pensado. Tudo o que ele faz tem malícia e má intenção para alcançar vantagens para ele e seu grupo.

OS ATAQUES A SÉRGIO MORO

Por mais toscos que pareçam, os recentes ataques de Lula a Sérgio Moro são todos de caso pensado.

Um dia antes da operação que prendeu integrantes de um esquema para matar Sérgio Moro, Lula o atacou em uma entrevista para um blog chapa branca. É lógico que Lula sabia que haveria a operação, já que seu Filinto Müller particular, Flávio Dino, controla a Polícia Federal.

Na sequência, nesta quinta-feira (23 de março), Lula dá outra declaração absurda (à primeira vista) dizendo que achava que a história de um plano para Moro era armação do ex-juiz. É evidente que ele sabe que não é armação e que ele sabe que a declaração é imbecil, mas aí é que está a questão.

O ANTIPETISMO

Lula sabe que existe uma parcela considerável da sociedade que é antipetista e será sempre antipetista. Hoje esse legado eleitoral antipetista  constitui parte do patrimônio político de Jair Bolsonaro.

DESTRUIR BOLSONARO

Lula e seus aliados antibolsonaristas sabem que não existe uma bala de prata para destruir Bolsonaro. Lula e Bolsonaro são os dois únicos líderes de massa desde Getúlio Vargas e não se destrói algo desse porte com um único tiro.

O processo de enfraquecimento do único adversário à altura que Lula teve na política precisará ser feito com paciência e com diversas táticas.

A prisão martirizaria Bolsonaro e Lula sabe melhor do que ninguém que a prisão não destrói uma liderança. A inelegibilidade, também não. Nem historinha de jóias árabes e afins. É preciso tudo isso e muito mais.

ATACAR MORO PARA ACERTAR BOLSONARO

Ninguém quer enfrentar o Real Madrid numa final de campeonato se puder escolher enfrentar o Bangu. Ao atacar com violência desmedida o ex-juiz Sérgio Moro, o petista busca polarizar com ele e jogar Moro para a plateia antipetista aplaudir.

Ele vitimiza Moro e o entrega para o público de Jair Bolsonaro cuidar, colando no seu algoz da Lava Jato a imagem de anti-Lula que hoje é de Bolsonaro.

Assim, Lula dá mais uma contribuição para tirar o Real Madrid do seu caminho e chama o Bangu pro campeonato.

Por mais que se reconheçam algumas virtudes em Sérgio Moro, afinal ele foi um juiz corajoso na Lava Jato, trata-se de uma figura política frágil, inexperiente e sem traquejo nenhum para o embate.

Moro trata Lula de igual para igual, como se não estivesse moralmente muito acima de um desqualificado como o ex-réu que condenou. Não teve habilidade política para conseguir um partido para se candidatar, mesmo sendo um nome conhecido e respeitado.

NÃO CAIAM NO JOGO DE LULA

Para colocar o Bangu no jogo, Lula precisava apelar. Suas declarações foram graves, mas a blindagem que tem na mídia o protege das consequências. Lula sempre foi astuto e nos últimos quase 50 anos construiu uma rede de poder que o permite fazer quase tudo o que quer.

Atacar Moro para acertar Bolsonaro, essa é a intenção de Lula. Por isso, sua maior vítima, o Brasil, não pode cair nessa e aceitar tirar o Real Madrid do jogo para enfrentar Lula com o time do Bangu. Bolsonaro é a grande força antipetista e anti-sistema e é com ele que deve continuar lutando.

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