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Thiago Rachid Opinião em Conserva
Lei e governo

Estranhas coincidências

Todos os adversários competitivos do PT são calados ou retirados de circulação

Desde que o PT chegou ao poder em 2003, quatro candidatos à Presidência representaram uma ameaça eleitoral real ao partido: Eduardo Campos, Aécio Neves, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Em 2014, Eduardo Campos era o candidato que ameaçava o cenário e dificilmente perderia aquela eleição. Seu avião caiu logo após uma entrevista ao Jornal Nacional em que ele havia saído amplamente aclamado pela população.

Naquele mesmo ano, o TSE anunciou a vitória de Dilma sobre Aécio Neves após uma apuração que gerou profundas suspeitas na sociedade. De início, Aécio foi contundente ao afirmar que contestaria o resultado, mas, de uma hora para outra, decidiu aceitá-lo. Algo aconteceu nos bastidores, afinal, os ratos sempre se entendem. Vale lembrar que, naquele mesmo ano, a própria Dilma admitiu que o PT “faria o diabo” para vencer a eleição.

Jair Bolsonaro conseguiu vencer em 2018 em um momento no qual o PT estava em frangalhos após a revelação do maior esquema de corrupção da história da humanidade. Contudo, tão logo o partido se reagrupou com o sistema, Bolsonaro acabou preso por conta de um suposto golpe que nunca existiu e nem sequer poderia ter acontecido.

Recentemente, Flávio Bolsonaro se consolidou como o novo líder da oposição e se tornou altamente competitivo. Porém, sete minutos após o anúncio de sua derrota, o sistema reagiu e emitiu mandado de apreensão de seus passaportes. Sem qualquer motivo, o destino parecia o mesmo de seu pai, a prisão, conforme o próprio Lula avisou que faria em um debate na TV. Mas Flávio foi prudente ao buscar o exílio.

Esta é a “democracia” petista. Pode parecer uma monumental coincidência, mas todo líder que enfrenta o PT com chances reais de vitória é retirado de circulação assim que algo estranho acontece.

Cabe lembrar ainda que, à exceção de Fernando Collor, absolutamente todos os adversários enfrentados pelo PT em disputas presidenciais foram, em algum momento, comparados a Hitler ou rotulados como fascistas. Todos. Inclusive aquele que hoje ocupa o cargo de vice-presidente de Lula.

E agora, após a saída de Flávio para o exílio, qual será o destino do próximo líder da oposição? Ele terá um problema súbito de saúde e morrerá? Terá de se exilar? Ou será preso por acusações sem fundamento?

E o que acontecerá com os brasileiros que continuarem a questionar essas “coincidências”? Seremos presos sem crime, como Filipe Martins? Teremos de nos exilar, como Allan dos Santos? Ou morreremos na prisão, como Clezão?

Todo regime de exceção utiliza exatamente a mesma narrativa: em nome de abstrações — como a pretensa defesa do “Estado de Direito” —, cometem-se as maiores arbitrariedades. Os nazistas, os soviéticos e as ditaduras brasileiras de Getúlio e de 1964 começaram assim: cheios de boas intenções para justificar o arbítrio.

Todos esses regimes contaram com cúmplices convictos de que estavam do lado certo da história e defendiam causas nobres. Mas, ao fim e ao cabo, a história sempre cobra o seu preço e revela a verdade: as digitais dos apoiadores desse regime jamais serão apagadas.

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