Eleição é um processo político, mas também matemático. É o que estabelece a Constituição. Para ser eleito presidente do Brasil, o candidato precisa de 50% dos votos mais um. As pesquisas eleitorais são os destaques do período justamente por isso: precisamos saber o “quantum” necessário para nossa vitória.
Estive mês passado em Portugal e acompanhei de perto como o desprezo pela matemática pode afetar a política. O candidato André Ventura esteve na dianteira durante quase todo o primeiro turno, perdendo fôlego na reta final. Chegou ao segundo turno, mas praticamente não ampliou seu contingente eleitoral na segunda fase.
Ainda na reta final do primeiro turno, pareceu-me claro que Ventura cometeria o erro fatal: pregar apenas para os convertidos. Não deu outra. O candidato não conseguiu expandir sua mensagem ao eleitorado que completaria a equação matemática para a vitória.
Fica a lição para André Ventura e também para Flávio Bolsonaro, o soldado escalado para combater o socialismo na Terra da Santa Cruz.
É preciso se comunicar para além da bolha. Aliás, a maior parte do esforço de comunicação deve ser esse. Flávio já terá os votos fiéis da direita mais conservadora. É preciso ir atrás dos que olham para o bolsonarismo com desconfiança. São os eleitores de centro e centro-direita, ávidos por uma novidade. É nesse eleitorado que o candidato precisa consolidar os 20% que faltam ao bolsonarismo.
Esse ponto é especialmente importante no caso de Flávio, pois as pesquisas apontam uma alta rejeição ao seu nome.
Mas isso não basta. Há um pequeno número de votos que o campo conservador precisa conquistar e que, sem eles, não leva a cadeira nem atendendo aos caprichos da matemática. São os votos dos donos do poder — aquelas cinquenta famílias que mandam no Brasil e que decidem quem ganha, quem perde, quem vai preso, quem deve ser solto.
Não adianta dar murro em ponta de faca. O que ocorreu em 2018 nunca mais ocorrerá. É inútil lutar contra quem tem todos os meios de ação. José Dirceu percebeu isso no início do século e por isso o petismo, mesmo sem ter sido a “menina dos olhos” do sistema até ali, venceu cinco eleições a partir de 2002.
O eleitor conservador pode estar me indagando mentalmente ao ler este texto: “ora, mas se é para fazer o mesmo que Lula e aderir ao sistema, não adianta eleger um Bolsonaro”.
Sim, senhor leitor. Aderir ao sistema seria uma traição à nação e tornaria o movimento conservador um petismo de sinal trocado. Mas não é de adesão que estamos falando, é de diálogo. É a tal arte da política, tão desprezada pelos conservadores brasileiros, mas sem a qual nos manteremos à margem da política nacional, vendo nossa gente sendo presa covardemente e nossa agenda sendo humilhada com a implantação de toda sorte de barbaridades wokes.
Quis a Providência que o candidato do antipetismo em 2026 fosse Flávio Bolsonaro, o mais político do clã. Talvez o único com habilidade política e capacidade de diálogo com quem quer que seja.
Precisamos lembrar que há momentos críticos da vida em que temos que dialogar mesmo com os maus para evitar o maior problema do nosso tempo. Foi por isso que o Ocidente se aliou a Stalin contra Hitler na 2ª Guerra. Sem o sanguinário comunista, o nazismo tomaria a Europa.
Sem dialogar com o sistema, perderemos quantas eleições disputarmos, mesmo se tivermos mais votos. E o maior beneficiado será o petismo. Assim como Churchill não hesitou em salvar a Europa do nazismo aliando-se aos soviéticos, não podemos hesitar em salvar o Brasil do petismo. Por isso: Flávio, dialogue com os donos do Brasil.