Até o momento, o saldo da pré-campanha de Flávio Bolsonaro é amplamente positivo. O “01” tem se mostrado habilidoso tanto diante dos microfones quanto nas articulações de bastidor — sucesso que já se reflete nas pesquisas de intenção de voto.
No entanto, como errar é inerente à condição humana, Flávio vacilou na Conservative Political Action Conference (CPAC 2026) neste final de semana, no Texas. O episódio é um bom exemplo sobre como a falha de comunicação pode ocorrer mesmo quando o conteúdo está tecnicamente correto. Observe a fala do presidenciável:
“O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.
Quem compreende a geopolítica mineral sabe que ele está certo. Em um círculo de especialistas, Flávio seria aplaudido pela visão estratégica. O problema? Um presidenciável não fala para especialistas; fala para a massa. E, no caso dele, a mensagem é filtrada por uma imprensa majoritariamente inimiga, pronta para distorcer qualquer nuance técnica em “subserviência”.
O ideal seria evitar o tema em falas de improviso. Mas, se o assunto fosse inevitável, o foco deveria ser o benefício direto para o brasileiro, e não apenas a solução para o problema americano.
Uma alternativa de discurso mais seguro seria:
“Os Estados Unidos dependem da China para obter as terras raras que movem a tecnologia moderna. O Brasil possui essa riqueza, mas hoje estamos de mãos atadas pela gestão fiscal desastrosa do PT, que estrangulou nossa capacidade de investimento. É a nossa chance de atrair capital americano para financiar uma indústria de alta tecnologia aqui, gerando empregos e libertando o Ocidente da dependência chinesa. É uma parceria onde o Brasil lucra e a liberdade vence.”
Escrevo este ajuste no conforto do “pós-fato”, sabendo da repercussão negativa. É fácil calcular as palavras quando não se está sob os holofotes de uma coletiva. Por isso a lição permanece: não se improvisa sobre temas complexos. O risco é entregar munição de graça ao adversário.
Na política, muitos peixes morrem pela boca — não pelo que dizem, mas pela maneira como dizem. Flávio errou quando o custo do erro ainda é suportável. Contudo, em uma campanha apertada, um deslize desses pode alterar o curso da história. Sua média caiu de 10 para 9,0. Ele ainda tem crédito, mas convém resgatar a virtude máxima do conservadorismo: a prudência.