Se no Brasil até o passado é incerto, quanto mais o futuro. Entretanto, as análises devem trabalhar com o material disponível. Nas condições atuais de temperatura e pressão, ou Flávio Bolsonaro ou Lula será o eleito em outubro. A disputa está definida e sem espaço para novos players, salvo alguma “surpresa muito surpreendente”.
Tanto Lula quanto Flávio têm potencial para alcançar entre 55 e 60 milhões de votos. Porém, o fiel da balança reside menos na eficiência da busca pelo voto e mais em ocupar certos espaços que — analisando sob a perspectiva da candidatura de Flávio Bolsonaro, a qual apoio — devem ser os seguintes:
É provável que Lula, caindo pelas tabelas, chame Flávio para a briga nos próximos dias e semanas. Mas o “Zero-Um” não deve mais entrar em “bola dividida” com o petista. Os votos que a polarização poderia conferir a Flávio já lhe pertencem. Aos ataques de Lula e do PT, Flávio deve responder com o argumento de que o Brasil não tem mais tempo a perder com discussões inúteis com quem já teve tempo de sobra para mostrar serviço ao país.
“Nós temos um projeto e um caminho de progresso para expor aos brasileiros. Não temos tempo a perder com quem teve cinco chances e manteve o Brasil dependente de auxílios governamentais. Queremos tornar os brasileiros prósperos e independentes, e isso depende de trabalho, não de blá-blá-blá ou troca de farpas”: este deve ser o discurso e o espírito da candidatura de Flávio. Um posicionamento que dialogue com a parcela da sociedade que busca resultados e não deseja mais conflitos.
Flávio é jovem e possui uma imagem que combina dinamismo e diálogo. Ele reúne as qualidades do pai, mas sem alguns dos obstáculos que atrapalhavam Jair Bolsonaro. Ele é capaz de demonstrar às grandes corporações que não representa uma ameaça às instituições, ao capital privado, aos investidores ou à imprensa — exceto ao crime organizado e aos corruptos.
Tenho insistido, em artigos recentes, a respeito de um ponto que até os petistas já perceberam ser a vulnerabilidade deles nesta eleição: a consolidação, por parte de Flávio Bolsonaro, de uma imagem de moderação, tolerância e foco em soluções para os problemas do país. Se Jair Bolsonaro se elegeu (e quase se reelegeu) como o remédio adequado em tempos de extrema polarização, Flávio pode ser eleito se insistir no figurino propositivo, em um cenário no qual ambos os candidatos apresentam alta rejeição.